Ora cá vai o pontapé de saída...
Inicio: 9:05
Fim: 15:38
Total 6:33
Tempo de andamento: 2:10
Tempo de paragem: 4:23
Distância: 88km (Loures a Escaroupim)
Velocidade Média (andamento): 50km/h
Velocidade Máxima: 96km/h
Altitude Mínima: 357m
Altitude Máxima: -7m
De manhãzinha, como convém aos Padeiros, lá estava no primeiro ponto de encontro, onde já aguardava o beta-v e a sua Strom com espelhos recauchutados
O dia prometia estar a favor, e enquanto aguardávamos as 9h, eis que chega uma surpresa. Marco e sua poderosa, apresentavam-se ao serviço.
Fizemos-nos ao caminho, reeditando o fantástico troço entre Loures e Arruda (já feito num passeio anterior), mas desta vez com piso seco. Uma delícia!
A meio do caminho o meu GPS resolveu fazer greve, e negou-se ao trabalho. Seguiu o Marco em diante, para fazer o resto do caminho.
Chegados a Arruda (desta vez com atraso mínimo

), já nos esperava o António. Mais dois dedos de prosa, e estávamos de novo a caminho, para a próxima
paragem no Carregado, onde já nos aguardavam, o Hugo e Sara. Pouco depois, chegavam o Jack e a Sónia (desta vez à pendura e de capacete novo), e
a mais recente dupla de padeiros, Gonçalo e Sónia, na sua DL novinha com 300 e poucos kms.

Felizmente e sem GPS tinha o percurso de cabeça, e seguimos todos pela nacional, até a Azambuja.
Aí chegados, virámos para a estrada das Lezírias em direcção à Valada. Logo do inicio saímos da estrada para fazer um curto estradão de terra batida
que dá acesso às ruínas do Palácio das Obras Novas.



Um local curioso, mesmo junto à foz da Vala Real, cujo a entrada se faz por uma alameda de palmeiras impressionante.
E agora o apontamento histórico que convém. Este edifício (o palácio) com fundações que remontam finais do século 18, terá sido construído
para dar apoio aos canais de enxugo aos campos de Azambuja e Santarém (da mesma altura criados por ordem do digníssimo Marquês de Pombal).
Funcionou como posto de controlo de tráfego de embarcações, pessoas e mercadorias que transitavam pela Vala Real. Ficou também conhecido por funcionar
como entreposto e estalagem de apoio à antiga carreira de vapores que fazia o circuito entre Lisboa e Constância.



A foto de família:

Regressados à estrada, com um pouco mais de pós nos costados

continuamos pela estrada das Lezírias, desviando mais acima para a aldeia avieira da Palhota.
Novamente, o acesso faz-se por estradão de terra batida, totalmente acessível.
Ao longo das margens do Tejo, podemos ainda hoje encontrar vários aglomerados, conhecidos por aldeias avieiras. O termo deriva de um fenómeno que se assistiu na
zona em finais do século 19. De facto, nesta altura, os pescadores da Praia da Vieira (Marinha Grande) deslocavam-se para estas margens em busca do sustento
que as condições do mar não lhes oferecia durante o Inverno. Primeiro sazonalmente, e depois foram ficando nesses locais com as famílias, vivendo inicialmente
em barcos, e depois, quando as condições económicas o permitiam, em barracos de feições típicas da Vieira de Leiria (e muito pouco ribatejanas), construídos
nas margens do rio. Por isso lhes chamavam de avieiros, ou também "ciganos do rio".




De notar, que nesta aldeia (Palhota) viveu durante alguns meses, o escritor Alves Redol, tendo-se aí fixado na casa do avieiro, onde terá recolhido os dados
necessários para a escrita do seu romance "Avieiros", publicado em 1942.
O pessoal já pedia almoço, mas ainda tivemos tempo de fazer mais uma paragem na Valada para cafézinho e refrescos.
Paragem da qual, por qualquer razão, não tenho fotos.
Daqui em diante, seguimos atrás do Hugo e Sara, que como habitantes da região, serviram de cicerones, nomeadamente para nos conduzirem até ao famigerado Silas,
do qual a maioria, já sentia água na boca. Para tal, foi preciso mudar de margem, atravessando o rio pela ponte D.Amélia, um pouco mais adiante da Valada.
Logo do outro lado, chegávamos a Muge, e ao esperado estabelecimento.
O espaço em si, não é deslumbrante, aliás como convém. Trata-se de um snack-bar de aspecto moderno e asseado.
Quando consultamos o menu, vem a surpresa. Eu sinceramente, estava à espera da clássica bifana enfiada no pão. E também é servida assim, mas com a denominação
de "simples", porque depois, há todo um rol de combinações, que levam em conta, presunto, bacon, queijo, ovo, cebola, etc...

Eu optei pela "extravagante" a 5€, que combinava a bifana e pão, com bacon, queijo e ovo... Divinal e muito potente.
Uma bastou, para satisfazer a minha fome. Devo dizer que não estando esfomeado, estava com apetites, e soube-me extraordinariamente bem. Sem dúvida lá voltarei
quando estiver na zona, até para experimentar as outras combinações.


Já agora deixo aqui um artigo interessante sobre o Silas, que conta um pouco a história do empreendimento e do senhor, por detrás deste:
http://semanal.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=181&id=17309&idSeccao=2314&Action=noticia
Depois, decidimos ir tomar o café a outra aldeia avieira, Escaroupim. Esta fica precisamente na margem oposta à Palhota, e de lá consegue-se avistar a Valada.
É mais urbana que a primeira, e perdeu já a maioria dos seus traços originais. Mesmo próximo do cais, encontra-se um restaurante de óptimo aspecto, onde é possível
apreciar algumas iguarias do Tejo, como a enguia e o sável. Tinha pensado marcar aqui o almoço, mas os 20€ de preço médio e a proximidade do Silas, acabaram por
dissuadir-me de realizar o almoço por cá. De qualquer forma, seria lá que estaria planeado o café.
O Marco já tinha um compromisso, pelo que nos deixou aqui e, em vez do café, seguiu para Lisboa, para chegar a horas.
Geograficamente, Escaroupim, tem esta particularidade. Quem vem de Sul, faz o acesso por Salvaterra de Magos subindo até à aldeia, por estrada asfaltada.
Quem vem de Norte, tem duas hipóteses. Desce a Sul até Salvaterra, para depois voltar a subir por Escaroupim, pela tal estrada de asfalto. Ou se estiver com coragem,
encara um estradão que dá o acesso por Norte, encurtando a viagem. Quem conhece o Hugo, sabe que se faz deslocar com uma SV, que é uma naked de estrada.
Portanto, quando ele me disse que íamos fazer uma estrada de terra batida, fiquei descansado. Ainda para mais, estando todos os outros a rolar de Strom.
A verdade é que a estrada de terra batida, era mais mais uma estrada de areia, nalgumas zonas, com altura e solta. Sei que a SV à minha frente, parecia um buggy do deserto.
Mas ao espreitar pelos espelhos, percebi que o pessoal estava-se a atrasar, pelo que dei meia-volta e regressei atrás. O António e o beta-v aguardavam os restantes à
sombra. Retrocedi mais um pouco e dei finalmente com o Jack e o Gonçalo, mais as Sónias. O Jack tinha acabado de "deitar" a Strom. Digo deitar, porque se é mau andar na
areia, tem sempre esta vantagem de quando se cai não deixar marcas. Felizmente íamos devagar, e para além de ficarem com areia nos sapatos não houve estragos físicos ou
materiais. Os novos Padeiros, portaram-se à altura, sem mossas ou azares, e convém dizer que esta terá sido a primeira vez que a Strom do Gonçalo com os seus
poucos quilómetros, se encheu de pó. E que baptismo, terra, gravilha e areia. Pelo menos, o Gonçalo ficou com uma ideia do que a Strom é capaz.
Ao fim disto tudo, finalmente chegávamos a Escaroupim, e que recompensador foi o café naquela fantástica esplanada.



Meio da tarde, e altura para o regresso nas calmas até casa, depois de uma excelente matiné entre amigos, passeando pelas margens do Tejo.
O Jack e o Hugo (com as respectivas companheiras) rumavam para Norte, enquanto que os restantes se dirigiam para Sul.
Eu tinha em mente de ainda fazer aquele fantástico desvio pela estrada do Cabo, o que permitiria também acompanhar o António que daí rumaria
outra vez para Norte pela ponte de Vila Franca, enquanto eu e o beta-v seguiríamos para Sul, rumando para a Vasco da Gama. O Gonçalo e Sónia,
estavam apertados de tempo, pelo que em vez de fazer o desvio seguiriam pela nacional.
E assim foi, voltámos por aquele excelente troço que atravessa a Lezíria, particularmente bonito e agradável de fazer nesta altura com os campos carregados de verde e um
cheiro próprio de cultura que paira no ar.
Junto à estalagem, despedimos-nos do António, seguindo, eu e o beta-v em direcção a Porto Alto. No caminho, ainda vimos um gigantesco saca-rabos (muito comuns nesta região) metido na sua, a atravessar calmamente a estrada.
Já próximo de Alcochete separei-me do beta-v, atravessando a Vasco da Gama de regresso a casa.
A todos, muito obrigado pela vossa companhia!
Cumps!