E quando passa uma frente fria gélida pelo país, o que apetece fazer?... Meter o capacete e anda de mota!
Desafiado pelo mestre Barradas, para uma ida até à Serra de São Mamede, num fim-de-semana que prometia ser fresco, mas seco, lá me apresentei no sítio do costume à hora indicada. Ao chegar à estação de serviço, já lá se encontrava o Rui, o Rui Benedito e o Pedro Quá... Estava com impressão que iria ser o último, mas afinal não foi assim, chegando o beta depois de mim. Ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer o Pedro (acompanhado da sua Big-One), e muito menos o Rui Benedito e a sua novíssima VStrom, do qual o Rui já me tinha falado.
Ao nosso encontro, também o fresquinho matinal, exacerbado pela tal frente fria que os meteorologistas tanto falavam. Eu cheguei à estação tdo enchouriçado de roupa, e tive logo q aliviar o peso, pois estava com dificuldade em mexer-me.
Cafézinho, dois dedos de conversa, e toca a subir para cima das motas e fazermos-nos ao caminho. A1, até Santarém, e muda de margem do Tejo. Recta do cabo, vira no Gado Bravo, e siga pela Lezíria pela já conhecida e deliciosa estrada que desemboca em Benavente. E depois, rio acima. Muito agradável a nacional e a passagem por todas aquelas terriólas à beira Tejo. Estava programada uma paragem no miradouro de Almourol, mas uma paragem ainda antes, em Alpiarça, revelou-se sensata, para o pessoal se aconchegar um pouco, com um cafézinho quente e um saboroso Pampilho.
Os "cavalos" no parque...

Cafézinho se faz favor...

Albufeira...


Seguimos o caminho, e a estrada começou a transformar-se, passando do rectilíneo para o levemente sinuoso... Muito do agrado de todos.
Paragem no miradouro, para apreciar umas das melhores vistas sobre o Castelo, e bater umas chapas.
O Castelo e o rio...


Os "doidos"...

Uma estatueta homenageante, no miradouro...

Ainda antes de arrancarmos, o Pedro reparou em algo que não lhe agradou na CB. Depois de uma análise mais atenta, chegou à conclusão que o moto da Big, tinha um pouco de óleo a mais.
Nada de grave felizmente, pelo menos que impedisse de continuarmos viagem.
Continuando pela margem Sul, estava planeado mudarmos de margem perto de Abrantes, mas antes, grandes curvas, com o Tejo de fundo.
Eu seguia logo atrás do Rui Benedito, e por uma ou duas vezes, vi-o a centímetros de roçar com a peseira no chão. Para quem ainda está a estudar a sua VStrom nova, nada mau, há ali muito potencial.
Finalmente mudámos de margem, atravessando Abrantes e seguindo pela A23. Aqui o pessoal folgou mais a marcha. Eu tive de refrear um pouco os ânimos, pois já tinha a câmara montada no capacete, e estava a fazer de gancho acima de certas e determinadas velocidades... Mas não os perdi de vista, nem de distância, e depois de alguns quilómetros, saímos de novo para nacionais.
Na véspera, tinha sugerido ao Rui um acertozito no itinerário, que passava por sair da A23, na saída anterior a Vila Velha, por forma a fazermos um pequeno troço maravilhoso pelo monte e serra, que já conhecia de um tempo atrás.
Esta estrada é tão bonita em traçado e paisagem, como perigosa, pelo que o Rui moderou o ritmo, como convinha. O que nos permitiu também de apreciar o bonito cenário.
Toda aquela zona é muito bonita, e aquele fenómeno das Portas de Ródão, onde o rio é apertado por duas colunas de rocha imensa é digno de ser apreciado, em qualquer altura, quer faça frio ou não.
E o Tejo aqui é único. Quem o conhece no Foz, tem dificuldade em acreditar que este é o mesmo rio que por aqui passa.
Depois do delicioso percurso sinuoso, fizemos outra paragem programada, no miradouro do Castelo, onde se acede a uma privilegiada vista sobre o Tejo a Norte e Sul das Portas de Ródão.
Pena o "fresco" que se fazia sentir. Parámos as motos junto à ermida e subimos ao miradouro. Logo ao chegarmos fomos agraciados com a vista do voo de uma graciosa ave de grande porte. Achei que por ali não haveria grifos (só lá para as margens do rio Douro), e que seria outro tipo de abutres... Mas estive a confirmar, e o que vimos, era mesmo um grifo, havendo por lá uma das maiores colónias.
Vista a Sul...

Vista a Norte...


Portas de Ródão, vistas do alto...

Miradouro...

Castelo...


E como as vistas e o frio não enchem barriga, toca a descer até Alpalhão, à procura de almoço.
A descida foi bem interessante, sempre com um cenário magnífico em nosso redor. E depois, a passagem do Tejo, onde da ponte se tem uma vista única sobre as Portas.
E mais curvas deliciosas, estas mais alargadas e folgadas. Novamente uma estrada do melhor, sempre com prados verdinhos a ladear. Já perto de Alpalhão a estrada fica mais direita, e finalmente chegávamos a localidade.
Não foi difícil dar com o restaurante, fica logo numa das ruas principais. Ninguém conhecia, mas vinha recomendado, de modo que entrámos para satisfazer o nosso apetite.
O Pedro e o Rui Benedito (que ia aquecendo as mãos com o calor do escape), já tinha sofrido um bom bocado com o frio que se fazia sentir, estavam um pouco curtos em equipamento para as condições adversas que se faziam sentir. Lá dentro, logo um ambiente agradável e quentinho para nos reconfortarmos.
No parque a arrumar a tralha...

As motas ao relento...

Ui, que bom...


A conta cifrou-se por volta dos 16€ cada, o que é razoável para os preços que por aqui se praticam. O pessoal era simpático e preocupado, mas devo dizer que não fiquei espectacularmente impressionado com o repasto. Talvez tenha sido por má escolha do prato (grelhada mista). Aí acho que quem ficou a ganhar, foi o Rui Benedito, que pediu uns choquinhos com carne e ameijoa, com excelente aspecto.
Já não me recordo com clareza, mas julgo que já seriam perto das 15h quando voltámos a vestir o equipamento e subimos para as motas. Objectivo seguinte, Marvão. Com passagem por Castelo de Vide.
Estrada boa, com muita vegetação de cores quentes, típicas por esta altura do ano. Este lugar é de facto muito agradável de percorrer. Chegada à Portagem, e subida a Marvão com aquelas curvas desafiadoras, algumas em cotovelo.
Lá em cima, entrámos na vila e estacionámos no miradouro. Ora se cá em baixo está frio, lá em cima está muito mais. O Benedito, aproveita cada paragem para "tostar" as mãos no escape, e o Pedro já começava a sentir-se mal com tanto frio.
Seguimos logo para o café, para beber qualquer coisa quente. O Pedro tratou logo ali, de pedir uns jornais, para fazer um "foro" térmico.
Vista do miradouro de Marvão...



O Pedro a forrar-se com o Jornal de Notícias...

E siga para bingo. Ainda se questionou a voltinha pela Serra, mas com uma acréscimo de apenas 3 quartos de hora, a maioria achou que valeria a pena. Em boa hora assim decidimos, pois a voltinha de Marvão a Portalegre, pela Serra, vale a pena. Estrada estreita mas boa, com curvas que cheguem e uma paleta de cores inacreditáveis e que só se conseguem apreciar no Outono.
Abastecimento em Portalegre e siga pelo belíssimo IC13, com um por-do-Sol incrível mesmo em diante dos nosso olhos. As cores do céu estavam de facto incríveis, e a estrada rectilínea que se estendia à nossa frente, fazia-me lembrar aquelas interestaduais intermináveis dos states que se fazem idealmente ao cair do Sol.
Passagem em Ponte-de-Sor, onde com a noite posta, já não se enxergou grande coisa. Ainda a meio caminho, uma paragem junto a Montargil para comer qualquer coisa e beber um galão bem quente.
Daí, seguimos para Lisboa, sempre por nacionais, com despedidas marcadas em Alcochete.
Excelente companhia, e um percurso que me deu um gozo tremendo fazer, apesar do frio que se fazia sentir. Grandes estradas e bonitas paisagens. De Almourol em diante, um percurso 5*, recomenda-se, sem dúvida a regressar.
E no final, a conclusão habitual... Grandes amigos e que grande máquina, esta a minha.
Cumps!